| No município de Boquim, a 82 quilômetros de Aracaju, a situação de cães abandonados tem chamado atenção e alguns casos até foram enunciados ao Ministério Público Estadual. Muito além do abandono, os animais indefesos tem sido alvo da crueldade do homem em situações que chegaram a ser inimagináveis e sem nenhuma justificativa plausível. João Fontes, coordenador da Organização Não Governamental Agroecológica, comenta que o cão de um amigo dele foi moto a tiros no quintal e casa onde vivia. “O criminoso praticou tira o alvo com o pobre cachorro e não foi punido por isso”, relata, indignado. De acordo com o coordenador – que abriga 12 cães na casa dele que ocorre uma situação dessas. Não bastassem os maus tratos e o descaso de boa parte da sociedade, os animais também não contam com políticas efetivas do poder público. Os cães estão por toa parte, no mercado municipal, nas praças, nos pontos de lanche, atrás das migalhas de alimento e, muitas vezes, de um pouco de afeto. Ao todo, são 5 mil cães registrados pela Prefeitura em todo o município. Desse total, há um número considerável de animais abandonados. “A Prefeitura não dispõe de um lugar adequado para o recolhimento desses animais, que aumentam a cada dia”, afirma João Fontes. O coordenador da ONG Agroecológica ressalta que falta também um programa municipal para esterilização da bicharada, o que reduziria, em parte, o problema. “Muitos bichinhos doentes acabam sem tratamento adequado, e a saída mais viável para a Secretaria Municipal de Saúde é o sacrifício, que, muitas vezes, é realizado no lixão da cidade”, denuncia. Antônia Simone Fontes, coordenadora da Defesa Sanitária de Boquim, alega que não há programas voltados à esterilização de animais pela Secretaria de Estado de Saúde. Ela informa que a Prefeitura está realizando um inquérito para levantar a real situação dos cachorros do município. “Fazemos exames de sangue com frequência para identificar e controlar doenças, como calazar e raiva, que estão sob controle”, explica. |
Poucos “amigos”
A quantidade de cães que perambulam por Boquim é impressionante e, infelizmente, são poucos os que tomam iniciativas para tentar resolver a questão ou mobilizar o poder público e a sociedade de um modo geral. Uma das raras iniciativas é o projeto “Amigo pra cachorro”, que reúne jovens mobilizados pela proteção dos animais. Atualmente, os membros do projeto aguardam pelo registro de uma associação que funcione para acolhê-los e encaminhá-los para os devidos tratamentos.
Segundo a estudante Loura Danielle do Carmo, integrante do “Amigo pra cachorro”, o registro ainda não foi feito por falta de dinheiro e porque ainda não há um estatuto para o funcionamento da entidade. “Todo o dinheiro que conseguimos utilizamos para cuidar dos cães. Há cerca de cinco meses , a Prefeitura se comprometeu a emprestar um terreno para a instalação da associação. Só precisamos regularizar nossa situação”, adianta Laura Danielle.
Mês sem uma sede própria, a população tem procurado o “Amigo pra cachorro” para denunciar alguns casos de maus tratos. “Há um mês, jogaram ácido em um cachorro que ficou com o corpo todo em carne “viva”. Nunca pensei que alguém pudesse ser capaz de tamanha crueldade”, desabafa. Segundo ela, o cachorro agonizou por um tempo e mal se mexia, tamanha devia ser a dor. “Os olhos tristonhos pareciam indagar: por quê?, lembra, emocionada. Infelizmente, a única saída foi sacrificá-lo.
Fonte: Cinfom
Postado por Boquimnews.com em 08 de dezembro de 2011

